terça-feira, 3 de abril de 2012

Metropolitano

Quantidade de caras. Expressões. À minha frente vai uma vaidosa, uns 15 anos, 16 talvez. Na minha diagonal vai o experiente, uns 65 anos diria eu, cansado pela idade, pela vida. No banco ao lado vai o músico. Leva as orelhas tapadas, perdido no seu mundo, abana a cabeça ao ritmo da música. Junto à janela vai o comilão. Ainda não o vi sem uma bolacha na boca. Mas não é gordo não senhora, tem um ar atlético e até é engraçado. Passou agora o mendigo a pedir esmola. Não tive a bondade de o auxiliar, mas escrevo sobre ele, vai ser famoso. Já o é. Quem é que não conhece o pedinte careca da linha azul? O gorduxo com a mesma lenga lenga de sempre. Continuo em movimento. O comilão saiu em S. Sebastião. Estou no Marquês de Pombal, vão agora sair o músico e o experiente. Quantas caras novas invadem esta pequena lata. Outra vaidosa à minha frente. Agora sentou-se uma rapariga na minha diagonal a comer pipocas. Cheiram bem. Não tenho coragem de lhe pedir uma, mas bem queria. Avenida. Saiu a primeira vaidosa. Entrou um homem a quem poderia chamar de político. Não que o julgue mentiroso, mas tem a pose. E ao meu lado vai agora uma senhora com um bebé ao colo. Brincalhão o pequeno. Abana os braços com a chucha na boca. Baba-se todo e ri. Dizem que o futuro é das crianças. Pois eu deixo-o nas tuas mãos pequenote, que cheguei ao meu destino e é hora de sair. Baixa-Chiado.

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